Ex-Zaire. O porta-voz militar da Monuc, o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, disse ontem ao DN que não tem indicações de que haja soldados angolanos a lutar ao lado do exército da RD Congo, numa altura em que persiste a incógnita sobre a origem dos homens que falam português no Kivu .ONG denuncia 50 civis mortos pelos rebeldes."A ONU acha que não há militares angolanos na RD Congo", disse ontem em declarações telefónicas ao DN o porta-voz militar da Monuc, o tenente--coronel Jean-Paul Dietrich, quando persiste a incógnita sobre a presença de homens que falam português entre as forças do exército congolês. ."Não temos indicações de que haja soldados angolanos a lutar", sublinhou o responsável da missão de capacetes azuis no ex-Zaire, lembrando, porém, que há forças especiais congolesas que foram treinadas com angolanos e que há congoleses da província fronteiriça do Katanga que viveram em Angola. .Dietrich referia-se aos ex-membros e aos herdeiros dos Tigres do Katanga, que tiveram de exilar-se quando a luta pela secessão da província falhou, tendo lutado com o MPLA em Angola. No sábado, um fotógrafo da AFP disse ter encontrado, na zona de Kibati, três militares que falavam português e diziam ser oriundos do Katanga. .Angola tem rejeitado a presença de militares seus no país vizinho, admitindo apenas enviá-los como parte de um esforço conjunto da SADC, que no domingo se manifestou disponível para enviar forças de manutenção de paz africanas para a RD Congo."Não há um único soldado angolano ou oficial angolano no Kivu (...) os soldados que falam português nessa parte da RDC não são forçosamente angolanos", sublinhou segunda-feira, em Kinshasa, o embaixador angolano João Batista Mawete, citado pelo jornal senegalês L'Observateur. O diplomata questionou-se ainda sobre o envolvimento de homens que falam inglês. .A presença de actores externos nos conflitos congoleses é frequente. Ainda ontem o enviado especial do Presidente ruandês, Paul Kagame, admitiu à Reuters a hipótese de militares ruandeses, já desmobilizados, estarem no Leste da RD Congo. Mas adiantou que é responsabilidade do regime de Joseph Kabila apanhá-los e repatriá-los. .O Governo ruandês é suspeito de ajudar os rebeldes tutsis liderados pelo ex-general Laurent Nkunda - da mesma maneira que o angolano é de prestar auxílio a Kabila. O porta--voz de Nkunda, Bertrand Disimwa, disse ontem à agência Lusa que "um avião com as cores de Angola foi avistado três vezes e levou para a RD Congo homens armados, que envergavam a farda do Exército angolano e bandeiras angolanas". .Isto numa altura em que Nkunda ameaça combater os soldados africanos que sejam enviados para o país. Nele encontram-se já 17 mil capacetes azuis da missão da ONU. A situação é, no entanto, tão grave que a organização já pediu o reforço da Monuc com mais três mil homens. A UE descartou, por seu lado, o envio de qualquer força europeia. Ontem, a Human Rights Watch denunciou ontem a morte de 50 civis na cidade de Kiwanja, às mãos dos rebeldes de Nkunda.